Save me Tonight
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postado: domingo, 5 de junho de 2011
título: “Segundos que antecedem o terceiro ato”.
Senti sua presença pouco antes do final do segundo ato, com certeza não era naquele momento, sequer naquele lugar que eu havia planejado “Le Grand Finale”. Seu beijo frívolo trazia letargia, suas unhas escarlates e fumegantes faziam-me lembrar que a dor não era apenas psicológica. O som intermitente do monitor cardíaco, ao fundo, trazia-me ao raso da consciência, imediatamente após a ausência daquela frequência mergulhava novamente em seus braços, a morfina tornava suas unhas mais curtas e obtusas, mas seu efeito era paliativo, o pulso estava baixo, já não distinguia a realidade de um mero devaneio.

Confesso que sinto fadiga, fraqueza, o tempo passa preguiçosamente, entretanto pessoas ao meu entorno correm, gritam umas com as outras, um ponto luminoso desloca-se de um lado para outro, meus olhos o seguem, a hemorragia baixa a pressão arterial, o coração desacelera, lentamente a lira de Orfeu começa a propiciar um estado de relaxamento indescritível, estado este interrompido por uma desfibrilação bifasica de 200 J.

Quando o holofote ascende e a cortina se abre, tenho que o terceiro ato deveras começou, estive muito próximo de não poder me apresentar em tão importante momento, pois é nele que a peça define-se, é o limiar entre o sucesso de critica e o fracasso de bilheteria, neste instante é que se define quão duradoura será a carreira do personagem e do ator.

Quanto à minha experiência de quase morte, bem este assunto fica para uma próxima vida.


Ps: apresse-se em me procurar, o faça antes de eu ter decidido meu caminho, também não decida o seu antecipadamente, senão novamente teremos perdido tempo. Caso eu não acredite em você, e provavelmente não vou, apenas me diga “a cada dez anos a sociedade muda seu curso, em que posição você irá estar na próxima década?”. Espero que até lá preserve estas qualidades que tanto admiro agora. Com amor (....).
1 Comentários

1 Comentários:

Às 5 de junho de 2011 às 13:27 , Anonymous Marcelo disse...

Os grandes intelectuais são céticos!

Acho foda quando você encobre a mensagem real falando da morte.

 

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