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postado: sábado, 28 de maio de 2011
título: "Uma noite fria de um sábado qualquer".
A frente de uma mesa, taças e copos mitigam a solidão, a fumaça do cigarro e a poluição de uma cidade cinza possibilitam-me ver o ar que respiro, desde então este ambiente já faz parte de mim simbioticamente, a multidão torna o recinto cada vez mais vazio, cada uma daquelas pessoas tem um motivo para ali estarem, quiçá até eu o tenha. Estou cada vez mais doente, refém de minhas ambições, futilidades e ostentações, a frase “O que você possui acaba te possuindo” (Fight Club), nunca fez tanto sentido quanto neste momento. Depois da meia noite as bebidas já não são suficientes para coibir o algor do corpo, a letargia começa a manifestar-se, alguns têm seus reflexos reduzidos, outros estão em uma frenesi incontinenti, tudo depende do que se consumiu, do que te consumiu ou do que irá te consumir. Plantas de plástico tentam tornar mais aprazível o pálido e frio concreto, amigos “descartáveis” consomem tempo, companhias eventuais o distraem, algumas lembranças surgem repentinamente. O caminho que me trouxe é o mesmo que agora me leva de volta, em alguns pontos ele é urbano, em outros marginalizado, penso como uma mesma rua possa ser benevolente e cruel ao mesmo tempo, tudo depende de que lado dela se está. A noite é a única vítima de uma sociedade teratológica, por isso não a culpo pela fatídica realidade, sua sina é como a de prometeus, submetida às galés impostas por “cidadãos” corrompidos. Minha casa é o único alento que vislumbro neste momento. De fato posso estar acometido pela crise da meia idade, mas “nem sempre a fraqueza que se sente quer dizer que a gente não é forte”.
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