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postado: segunda-feira, 23 de maio de 2011
título: "Expressão".
Já me acostumei com a pichação a ponto de vislumbrá-la como uma expressão de arte urbana, sem distinção entre um valioso quadro exposto à venda em uma galeria conceituada e um muro que grita ferozmente “meu pix contra o cistema”, sigo apreciando ambas as manifestações, tudo é arte, tudo se move, tudo nos move, ambas expressam o sentimento de seu criador e ambas nos induzem a uma reflexão. O grande ponto reside no consumo desta arte, na sua longevidade e amplitude, a pichação é o fast food da arte contemporânea, consumida por transeuntes a todo o momento e em todo lugar, já as supostas “grandes obras” à La Carte estão a enfeitar cofres de espessuras colossais, sendo que enquanto uma se renova pela ação do tempo, da fauna e da flora das cidades a outra está hermeticamente eternizada em seu ostracismo eremita.

Quem me garante que quando eu passar novamente em frente àquele muro poderei ver através da janela de um ônibus amarelo aquela expressão grafada erroneamente, talvez na esperança de que salte ainda mais aos olhos a atenção do leitor, atenção esta que é dividida com tantas outras manifestações urbanas, de diversas formas, tamanhos, cores e substâncias. Entretanto, quem me garante também que poderei desfrutar da companhia de Pablo Picasso, Jackson Pollock, Boticceli, Di Cavalcanti, Renoir, Van Gogh, Kandinsky, ou ainda do surrealismo do mestre Salvador Dali?

A arte pela arte pode ser simples ou elaborada, valiosa ou sem qualquer valor comercial, inovadora ou banal, não importa, pois ela deve, tão somente, ser a expressão fiel do sentimento de seu autor, ter sua assinatura e sua moldura, quer seja por louros banhados a ouro ou ainda de vegetação rasteira e fuligem.

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